terça-feira, 5 de agosto de 2014

Síndrome Cuco Fora do Ninho

Temo padecer de um síndrome incapacitante que me tolhe os pensamentos, movimentos, ações e reações.
Uma mulher trá-los a este mundo. E torna-se mãe. Depois eles começam a ganhar asas. E voam. Vão voando. Devagarinho.
Começam a falar. Depois a andar. Depois começam a ler. Livros inteiros. E depois fazem somas e subtrações. E depois já conseguem contar o dinheiro que a fada dos dentes lhes deixou. Trezentos euros e cinquenta, mãe! Epá, a tua fada dos dentes é das boas! Não. São três euros e cinquenta cêntimos, Salvador. Pronto, ainda faz confusão com as centenas e os cêntimos. São palavras parecidas, né? E olha, ó mãe, o dinheiro que os teus óculos novos custam, não cabe na mão, pois não? Depende, filho, depende. Trezentas moedas de euro não cabem na mão, mãe! Pois não. Mas se levarmos algumas notas, já cabem, certo? Pois! E vamos tendo conversas de gente quase grande. E orientam o despertador para tocar todos os dias às oito da manhã.
E vão passar três dias a casa da Tia que mora a dezassete quilómetros da nossa casa. TRÊS noites. Seguidas. E fica uma mãe com o coração apertado. Porque não sabe o que está ele a fazer. E fica uma mãe com as rotinas baralhadas. Porque tomar conta de um filho só,
é bué de fácil. E fica uma mãe toda desorientadinha. Porque sabe que o miúdo está excelentemente bem entregue. Mas não sabe o que é que ele está a fazer. Nem sabe o que ele tomou ao pequeno-almoço.
Temo padecer de um síndrome incapacitante que tolhe as ideias de uma mãe que quer o miúdo de volta.