domingo, 2 de fevereiro de 2014

Diário de mim que fui jantar fora sem ter hora para voltar a casa

Pais participantes ativos na festa de Natal da escola primária rumaram ao restaurante para conviver. Depois da espetada e do caldo verde rumaram a um bar onde o karaoke animava o povo.
Cantei, dancei, bebi umas coca-colas, ri que me desmontei toda e até me doer a barriga.
As horas passavam e eu lá ia olhando para o relógio. Chega-se o dia seguinte. Passa-se a primeira hora desse dia. Aproxima-se a segunda hora desse dia e eu a pensar que o marido começava a rosnar (amigável e delicadamente) a perguntar se eu não tenho relógio (que por acaso até tenho. Novinho. Dado no Natal pelo próprio do marido). A segunda metade da segunda hora desse dia a aproximar-se e a consciência a começar a pesar-me. Tenho de me ir embora, pensava eu.
Cantou-se mais uma música e eu disse às meninas com quem ia: - Mais uma e vamos embora. Ok!

Cheguei a casa passava pouco da segunda hora e meia desse dia. Entrei no quarto de mansinho. Despi-me no silêncio. Enfiei-me na cama com o som de um tambor na cabeça. Emanava de mim aquele cheirinho a discoteca que eu já não sentia desde o século passado. A sério. Desde o século passado. Ao meu lado, reinava o silêncio e a calma. Adormeci a custo.
Pela sétima hora desse dia, levantei-me para aliviar a bexiga (a Coca-cola é pior do que a cerveja). O quarto já está iluminado pelas frinchas do estore. Pondero se devo despejar o autoclismo. Não quero fazer barulho para não acordar as crianças. Despejo o autoclismo.
Volto a enfiar-me na cama. Aconchego-me a pensar quantas horas é que ainda vou conseguir dormir e oiço: - Estás a chegar agora?
- Quê? A chegar agora? Ó môr, já é de dia! Achas que eu ia chegar a casa de dia?
- Tu é que disseste que não sabias a que horas vinhas...
- Tá bem, mas... Não me ouviste chegar?
- Ouvi. Eram umas 4 e meia da manhã.
- Quê?
Ok. P'rá próxima já sei qual é a hora do recolher. E estou a fazer conta de a cumprir. Encostei-me ao marido e pensei na maldita bifana que não fui comer com a Márcia e o pequeno João, com a Patrícia, com a Tânia e com a Sónia